Prólogo
Os católicos do mundo todo aprenderam que Constantino, o Grande, foi um
dos maiores benfeitores do cristianismo.
A ele é atribuída a libertação dos cristãos da miséria trazida pela perseguição
romana e a obtenção de liberdade religiosa, proibida naqueles tempos.
Além disso, muitos acreditam que ele foi um fiel seguidor de Jesus Cristo,
com um forte desejo de promover a fé cristã, tanto dentro do império romano,
quanto nas nações que roma conquistava (pelo poder das armas).
A Igreja Ortodoxa Oriental, a Igreja Copta consideram “santos” tanto ele
como sua mãe, Helena e celebram-se festas em honra a eles em 3 de junho
ou, segundo o calendário da Igreja, em 21 de maio.
Porém, analisando-se historicamente esse imperador romano, vamos ver que
ele não foi o que a maioria pensa. Vamos à história dele:
Um Resumo de Sua Vida:
Uma Vida de Guerras:
Constantino, filho de Constâncio Cloro, nasceu em Naísso, na Sérvia.
Quando seu pai se tornou imperador das províncias ocidentais de Roma,
em 293 EC, Constantino estava lutando junto ao Danúbio, sob ordens do
Imperador Galério. No ano 306 EC, ele retornou à Grã-Bretanha e ficou
junto ao pai, que estava para morrer. Logo após a morte do pai, o exército
aclamou Constantino como imperador.
Mas naquela época, cinco outros homens se diziam Augusti (imperadores).
Iria haver guerra entre eles e o período de 306 a 324 EC foi uma época
de incessante guerra civil.
Ele vencer duas campanhas militares e garantiu um lugar na História de
Roma e se tornou o único governante do Império Romano.
Sumo Sacerdote do Paganismo Romano:
Em 312 EC, Constantino derrotou seu oponente, Maxêncio, na batalha
da Ponte Mílvia, fora de Roma.
Apologistas "cristãos" afirmaram que, durante aquela campanha, apareceu
sob o sol uma cruz flamejante com as palavras latinas In hoc signo vinces,
ou seja, “com este sinal vencerás”. Acredita-se também que, num sonho,
Constantino recebeu a ordem de pintar as primeiras duas letras do nome
de Cristo, em grego, nos escudos das suas tropas.
Mas esse relato tem muitos anacronismos. O livro História do Cristianismo
declara: “Existem contradições quanto ao tempo, ao lugar e aos detalhes
exatos dessa visão.”
Mesmo assim o senado romano (pagão) acolheu Constantino em Roma
e declarou-o principal Augusto e Pontifex Maximus (Sumo Pontífice),
isto é, sumo sacerdote das religiões pagãs do império.
Ele era também um adorador do Deus Sol romano e jamais abandonaria
essa crença durante sua vida.
No ano 321, Constantino, como Sumo Pontífice (título que passaria a
ser usado pelos "Papas" católicos, a partir do Papa Dâmaso, que aceitou
esse título pagão, em 382 DC, concedido pelo então imperador Graciano)
criou a primeira lei a favor do domingo, Dies Solis, dia do deus-sol chamado
Sol, cujo símbolo era a cruz, para que este dia ficasse excluído de ser judicial
e para que a sua observância se tornasse um dever legal.
Até hoje os católicos observam o "domingo" como se fosse um dia dedicado
a orações e cerimônias (missas).
Um "Acordo" Antes da Guerra:
Em 313 EC, Constantino fez um acordo com o Imperador Licínio, governante
das províncias orientais. Através do Edito de Milão, ambos garantiram
"liberdade" de religião e direitos iguais a todos os grupos religiosos. Muitos
historiadores, porém, consideram esse documento como de pouca importância
e dizem que foi apenas uma carta oficial de rotina e não um documento imperial
de peso que indicava uma mudança de atitude em relação ao cristianismo.
Mas Constantino derrotou Licínio (que mandou matá-lo na prisão) seu último
rival no Império e se tornou governante incontestado do mundo romano.
Em 325 EC, ainda sem ter sido batizado, ele convocou e presidiu o primeiro
grande concílio ecumênico da Igreja “cristã”, onde se condenou o arianismo
e elaborou uma declaração de crenças essenciais chamada de Credo de Nicéia.
O Fim:
Constantino teve uma doença terminal em 337 EC. Assim, no fim da vida,
ele foi batizado como católico e em seguida morreu.
Depois da sua morte, o Senado o incluiu entre os "deuses" romanos os
católicos, mais tarde, entre seus "santos".
Esta foi a vida de Constantino. Uma vida não muito diferente da de outros
imperadores romanos, que eram políticos e guerreiros.
Constantino na Análise dos
Historiadores
O "Cristianismo" como Arma Política:
Referindo-se à atitude geral demonstrada pelos imperadores romanos
do terceiro e do quarto século em relação à religião, o livro História da
Nação Grega diz::
“Mesmo que aqueles que se sentavam no trono imperial não fossem
profundamente religiosos, eles achavam necessário render-se ao modo
de pensar da época e dar primazia à religião em seus esquemas
políticos, a fim de dar pelo menos um toque de religiosidade às suas
ações.”
Por certo, Constantino era um homem em sintonia com a sua época.
No início de sua carreira, ele precisava de apoio “divino”, algo que os
decadentes deuses romanos não podiam mais lhe dar.
O império, incluindo sua religião e outras instituições, estava em
decadência e era necessário 'algo novo' e revigorante para reconsolidá-lo.
Sobre isso a enciclopédia Hidria diz:
“Constantino estava especialmente interessado no cristianismo porque
esse apoiaria não apenas sua vitória, mas também a reorganização do
seu império. As igrejas cristãs, espalhadas por toda parte, forneceram-lhe
sustentação política... Ele cercou-se dos maiores prelados da época... e
solicitou que mantivessem a união.”
A Tática:
Constantino percebeu que a religião “cristã”, que na época já havia
cedido à apostasia e estava profundamente corrompida, poderia ser bem
utilizada como força revitalizante e unificadora, a fim de servir ao seu grande
plano de dominação imperial.
Adotando então os fundamentos daquele cristianismo apóstata para obter
apoio na promoção de seus interesses políticos, ele decidiu unificar as
pessoas sob uma religião que oficializou como “católica”, ou 'universal'.
Costumes e celebrações pagãos receberam um nome “cristão” e os
clérigos “cristãos” receberam o mesmo status, salários e influências dos
sacerdotes pagãos romanos.
Na Igreja Dividida Ele Foi O "Mediador Divino":
Por motivos políticos, Constantino queria conseguir harmonia religiosa e,
assim, silenciou rapidamente a voz dos dissidentes, usando como base
para isso a aceitação da maioria e não verdades doutrinais.
As profundas diferenças dogmáticas dentro da Igreja “cristã”, extremamente
dividida, deram-lhe a oportunidade de intervir como mediador “enviado por
Deus”.
Ao lidar com os donatistas do norte da África e com os seguidores de Ário
nas regiões orientais do império, ele rapidamente se deu conta de que
não bastava persuasão para criar uma fé sólida e unida. Numa tentativa d
e resolver a controvérsia ariana, ele convocou o primeiro concílio ecumênico
da História da Igreja. O Concílio de Nicéia.
Sobre Constantino, o historiador Paul Johnson declara:
“Uma das principais razões de ter tolerado o cristianismo foi, possivelmente,
porque isso deu a ele mesmo e ao Estado a oportunidade de controlar a
política da Igreja em relação à ortodoxia e ao tratamento dispensado
à heterodoxia.”
Não Chegou a se Tornar "Cristão"
Alguns advogam que Constantino se "converteu" ao cristianismo. Só que
ao mesmo tempo em que alegava ter "se convertido" realizava atos em
devoção ao paganismo. Johnson diz:
“Constantino nunca abandonou a adoração do sol e manteve o sol em suas
moedas.”
A própria Enciclopédia Católica admite:
“Constantino favoreceu de modo igual ambas as religiões. Como sumo
pontífice ele velou pela adoração pagã e protegeu seus direitos.”
A Encliclopédia Hidra também reconhece:
“Constantino nunca se tornou cristão" e acrescenta “Eusébio de Cesaréia,
que escreveu a biografia dele, diz que ele se tornou cristão nos últimos
momentos da vida. Isso não é convincente, visto que, no dia anterior,
[Constantino] fizera um sacrifício a Zeus porque também tinha o título de
Sumo Pontífice.”
Até o dia da sua morte, em 337 EC, Constantino usou o título de Sumo
Pontífice (concedido pelo senado romano que não era cristão).
Isso significava que ele era o chefe supremo em assuntos religiosos do
império, fosse eles pagãos ou "cristãos".
Sobre seu batismo, é razoável perguntar: Foi precedido de genuíno
arrependimento e conversão, como exigido nas Escrituras em
Atos 2:38, 40, 41? Foi uma imersão completa em água como símbolo
da dedicação Deus? Não foi nem uma coisa e nem outra, conforme nos
mostra a História.
A Personalidade do "Santo" Constantino:
Hoje em dia é comum, as vezes os católicos verem seus padres, no
final das missas pedindo alguma reza para algum santo de sua devoção.
E não raro pedem rezas ("Ave-Marias") para "São" Constantino.
Mas ele era santo? Como era a personalidade do homem Constantino?
A Enciclopédia Britânica declara:
“Constantino tinha o direito de ser chamado de Grande, mais em virtude do
que fez, do que pelo que era. A julgar pelo caráter, de fato, ele está entre os
mais baixos de todos aqueles a quem se aplicou o epíteto [“Grande”] nos
tempos antigos ou modernos.”
E o livro Uma História do Cristianismo nos informa:
“Há antigos relatos sobre seu temperamento violento e sobre sua crueldade
quando estava irado... Ele não tinha nenhum respeito pela vida humana...Sua
vida particular se tornou monstruosa à medida que ele envelhecia.”
Constantino tinha graves problemas de personalidade. Um pesquisador de
História declara:
“seu caráter temperamental era freqüentemente a razão de ele cometer
crimes. Constantino não era “um personagem cristão”, argumenta o
historiador H. Fisher em seu livro História da Europa.
Assassino da Própria Família:
Foi com o título de Assassinatos na Dinastia, a obra grega Istoria tou
Ellinikou Ethnous descreve aquilo que chama de “repugnantes crimes
domésticos cometidos por Constantino”.
Logo após fundar sua dinastia, ele esqueceu-se de como desfrutar
realizações inesperadas e se deu conta dos perigos que o rodeavam,
como já era de praxe dos imperadores romanos. Sendo desconfiado e
talvez incitado por bajuladores, ele primeiro suspeitou de que seu sobrinho,
Liciniano, filho de outro Augusto que ele já havia executado antes, fosse
um possível rival. Assim, mandou assassiná-lo.
O assassinato desse foi seguido pela execução de seu próprio filho
primogênito, Crispo, seguindo as instigações de sua própria madrasta,
Fausta, visto que parecia ser um obstáculo ao poder total dos filhos dela.
Mas essa ação de Fausta foi, por fim, a razão da sua própria morte trágica.
Parece que Augusta Helena, que até o fim da vida tinha influência sobre
o filho imperador, também teve participação nesse assassinato.
As emoções ilógicas, que muitas vezes tomavam conta de Constantino,
também contribuíram para uma enxurrada de execuções de muitos de seus
amigos e associados.
O livro História da Idade Média conclui: “A execução − para não se dizer
assassinato − de seu próprio filho e de sua esposa indica que ele era
insensível a qualquer influência espiritual do cristianismo.”
E no entanto esse foi o homem que, considerado inclusive como o
"13º Apóstolo" pelo clero católico, decidiu as crenças que iriam
dominar o catolicismo (e também dos protestantes, com exceção do
culto à Maria) até os dias de hoje.
O Concílio de Nicéia
O Concílio de Nicéia não foi convocado pelo "Papa" Silvestre (que na
época era apenas um "bispo" mais influente que comandava os outros da
cristandade dividida em várias seções. Foi Constantino, o Sumo Pontífice
pagão romano, adorador do Deus Sol. O "Papa" Silvestre não
compareceu.
Ele convocou todos os superintendentes "cristãos" de todo o império a se
reunirem em concílio, não na Roma italiana, mas em Nicéia, perto de
Nicomedia, na Ásia Menor.
Relata-se que dentre todos estes superintendentes apenas cerca de um
terço, ou 318 deles, vieram; e pensa-se que até mesmo esta cifra é elevada
demais.
Mas por que obedeceriam estes superintendentes, se é que eram cristãos,
a um Sumo Pontífice pagão, permitindo-lhe ditar nas questões cristãs?
Por causa dos "ajudantes" que os "bispos" trouxeram consigo, o número
dos homens presentes no Concílio talvez tenha sido entre 1.500 e 2.000.
Constantino presidiu esse Concílio como Sumo Pontífice (pagão), e não
como um "bispo religioso" de Roma, já qie dizia ter "se convertido".
O Concílio também não foi realizado em latim, mas em grego, e o Credo
de Nicéia resultante era também em grego.
A Igreja Latina (precursora da atual Igreja Católica Romana) tinha apenas
sete delegados presentes, dois deles sendo presbíteros que representavam
o "bispo de Roma".
O "Assunto" do Concílio - Agressão a Tapa e Correria
Havia uma desunião entre os conhecidos "cristãos" (mas que não eram os
cristãos verdadeiros). Essa desunião ameaçava a estabilidade do império.
Dentre os pontos de desunião estavam a controvérsia a respeito da "unicidade
de Cristo e Deus".
Os que defendiam essa "unicidade" tinham por paladino o jovem arcediago
Atanásio, de Alexandria, no Egito. Os que se opunham a ela e que mostravam,
sobre esse assunto, à base das Escrituras que Jesus Cristo é inferior a Deus,
seu Pai, tinham por paladino a Ário, um presbítero.
Os dois lados altercaram por cerca de dois meses. Ário mantinha que
“o Filho de Deus era uma criatura, feita do nada; que houve tempo em que
não tinha existência, que era capaz do certo e do errado do seu próprio
livre arbítrio”, e que, “se ele for filho no sentido mais verdadeiro, deve ter
vindo depois do Pai, portanto, houve obviamente tempo em que ele não
existia, e, por isso, é um ser finito”.
Depois desse ponto de vista, que correspondia ao que a Bíblia diz
corretamente, quando Ário foi falar de novo, certo Nicolau de Mira
esbofeteou-o.
Ário, uma vez mais fazia sua réplica, quando muitos taparam os ouvidos
com os dedos e saíram correndo como que horrorizados pelas “heresias”
daquele homem idoso. Porque agiram assim? Certamente estavam
impregnados pela filosofia grega pagã e "não mais suportavam a sã
doutrina".
Este foi um exemplo do que já havia sido previsto pelo Apóstolo Paulo:
“Tempo virá em que os homens já não suportarão a sã doutrina; mas,
abandonando-se aos seus caprichos, ávidos do que pode excitar os
ouvidos, rodear-se-ão de uma multidão de mestres, e, afastando os
ouvidos da verdade, voltar-se-ão para as fábulas.”
2ª Timóteo 4:3, 4 (Versão Bíblica Católica do PBIR)
A Decisão "Pela Maioria" E Não Pela Razão
Constantino entendeu que a maioria não apoiava Ário. Ele mesmo, dizendo-se
"convertido" e adepto da Bíblia ouviu essas declarações e pode constatá-las
por si mesmo, na Bíblia, como sendo verdadeiras. Mas o que fez?
Ele foi pela maioria (de orientação filosófica grega) e não pela verdade
bíblica e fez a sua decisão a favor do ensino de Atanásio.
Assim se estabeleceu e pôs em vigor o Credo de Nicéia sobre a “unicidade
de Cristo e Deus” (que sofreria ainda um "refinamento" maior por parte
de filósofos gregos dando origem a Doutrina da Trindade).
Mais tarde, por ter dito o que disse, Ário foi banido para a Ilíria, por ordem
de Constantino (mas foi chamado de volta de lá, cinco anos depois).
Além desse assunto, o Concílio de Nicéia publicou diversos cânones,
e decretou em que domingo (Dies Solis) do ano se devia celebrar regularmente
a Páscoa.
Essas decisões "pela maioria" Resolveu as disputas entre os da cristandade?
Não. A controvérsia ariana continuou e só foi mesmo rematada em 381 DC,
no Concílio de Constantinopla.